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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) #8

O oitavo capítulo continua no tema de erros, mas passa de “erros falsos” para “erros verdadeiros”. O autor dá muitos exemplos de erros, gralhas e mal-entendidos, e sublinha algumas ambiguidades. Por exemplo, será que “a maioria das pessoas…” toma um verbo plural ou singular? O mesmo problema encontra-se em inglês também. Como sempre, há uma mensagem simples para o leitor: os erros alheios nas redes sociais não importam o suficiente para que se humilhe alguém publicamente. Seria melhor enviar uma mensagem privada ou até ficar calado.

No fim de contas, isso parece um conselho muito útil.

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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) #7

O Capítulo sete trata de supostos erros gramaticais e daquelas pessoas chatas que acreditam que existem regras contra várias frases e palavras comuns e ficam inchadas com orgulho pelo seu conhecimento secreto.

Entre outros exemplos, há pessoas que acreditam que “obrigada” não existe, e que devemos dizer “desfazer a barba” em vez de “fazer a barba”.  Este tipo de pessoa existe na Inglaterra também e não há dúvida que em qualquer outro país há pessoas que chateiam toda a gente com as suas opiniões sem pés nem cabeça. Às vezes, uma editora dá-lhes oportunidade e publicam as suas obras para irritar ainda mais pessoas.

Entre outros exemplos, há pessoas que acreditam que “obrigada” não existe, e que devemos dizer “desfazer a barba” em vez de “fazer a barba”.  Este tipo de pessoa existe em Inglaterra também e não há dúvida que em qualquer outro país há pessoas que chateiam toda a gente com as suas opiniões sem pés nem cabeça. Às vezes, uma editora dá-lhes oportunidade publicaram-nas para irritar ainda mais pessoas.

É interessante ler um desabafo assim em português porque, geralmente, leio livros do mesmo género na minha própria língua com uma mistura de alegria e horror. Em inglês há sempre uma divisão entre os “prescriptivists” (pessoas que querem prescrever as regras e insistem que toda a gente deve segui-los até quando o resultado é feio ou absurdo), e os “descriptivists” (pessoas que preferem descrever a língua e acham que – por exemplo – Literalmente (“Literally”) agora significar “muito” ou ainda pior “figurativamente” porque há burros que o usam assim). Prefiro o conselho de A.P. Herbert que escrevi que novidades linguísticas devem ser apoiadas quando fazem a língua mais flexível e mais poderosa, mas temos de lutar contra neologismos que fazem tudo mais confuso. Noutras palavras: pessoas que abusam “literally” devem ser presos numa masmorra onde podem ser roídos pelos ratos.

Mas por outro lado, o A.P. Herbert odiou a nova (naquela época) palavra “televisão” e talvez estas batalhas não valha a pena de lutar…

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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) Intervalo

#UNCORRECTEDPORTUGUESEKLAXON

Entre os capítulos seis e sete, há um Intervalo em que o autor elogia um artigo na revista “New Yorker”, chamado “The Talking Cure“.

O argumento do artigo pode ser resumido num titulo dum secção do capitulo: “As Crianças Precisam de Palavras Como de Vitaminas” ou seja, tem um instinto para línguas faladas e precisam de adultos que querem falar com eles  para alimentar a sua fome de palavras porque a sua inteligência não se cresce senão num ambiente rico em palavras. Devem fazer parte numa conversa que faz sentido e em que os pais ouvem e responder as palavras de criança também, obviamente. Ou seja, se não participem em diálogos, e não ouvem historias, não podem absorver as regras, as palavras que precisam para ser adultos inteligentes, livres e com confiança!

Concordo cem por cento, e seguimos esta filosofia quando nasceu a nossa filha. Infelizmente, o que mais lamento é que demorei tanto para aprender português, a língua da minha mulher, e por isso não conseguimos fornece-la com um ambiente rico em duas línguas.

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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) #6

#UNCORRECTEDPORTUGUESEKLAXON

No sexto capítulo, Marco Neves volta para vários assuntos dos anteriores. Começa com a vaidade de quem acredita que o seu sotaque não é sotaque mas nada mais e nada menos do que o padrão de língua, e todos os outros são meras tentativas de falar português assim. Também, faz-nos lembrar a historia alternativa do capítulo 5, e que o relacionamento entre português brasileiro e português europeu é igual ao relacionamento entre português e galego. O seu objectivo é fazê-nos ver a língua do Brasil com olhos novos, não como errado, nem outra língua, nem uma ameaça a versão que se fala em Lisboa, mas sim como mais um membro da família de línguas, que cresceu (se perdoar o meu metáfora misto…) da mesma raiz romana, e que mantém o mesmo nome. Claro, português brasileiro compartilha muitas coisas em comum como português europeu e é igualmente capaz de ser um idioma da poesia e da literatura.

O autor confronta uma ideia, exprimido por um português que “Tenho aversão a ler em brasileiro”. Embora não faça parte neste dialogo por não ser lusófono, acho este ultimo sentimento o mais surpreendente para mim, como um inglês. Nós também temos um primo mais grande, uma outrora colônia transatlântica que fala a nossa língua e tem uma voz muito alta no palco do mundo. As vezes, queixamos da sua influencia nos meios de comunicação, e os barbarismos e modernices (nunca se diz que alguns são mais propriamente velhices!) semeados nas mentes dos nossos filhos pelas séries e filmes daí, mas nunca, mas mesmo nunca ouvi alguém a dizer que ele tem aversão de ler (ou de ver ou de ouvir) narrativas estadunidenses.

 

When I posted this on italki, i prefaced it with

Dado o assunto, seria eu uma hipócrita se dissesse que preferia correções em PT-PT? 🙂

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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) #5

Este capitulo lida com a família de línguas que inclui o português. O autor desenvolve ainda mais o tema das línguas regionais iniciado no capítulo 4. Infelizmente, não tenho conhecimento o suficiente da geografia e as línguas da Península Ibérica para entender tudo. Por exemplo, confesso que nunca tinha ouvido falar do Couto Misto, um micro-estado que existia na fronteira entre Portugal e Espanha até ao século XIX, e embora seja sempre interessante aprender coisas novas, não consegui compreender todas as informações sobre as subtilezas do sotaque, ortografia e cultura da região que, ao que parece, seria interessante ou até desafiante para os lusófonos. Ora bem, é falta minha, e talvez um dia se torne mais nítido mas nesta altura, houve grandes partes que não penetraram na minha ignorância!

Cá para mim, a coisa mais interessante é a história alternativa que começa na página 99, em que o autor tenta fornecer uma resposta à pergunta “Como é que a língua portuguesa teria sido diferente se Portugal não tivesse ganho a sua independência da Espanha em 1640?”) Claro isto é muito especulativo, mas apesar disso é muito interessante e ilumina os acidentes de história que separam as línguas umas das outras e eleva algumas ao estado de “língua nacional” enquanto que outras se tornam dialectos.

 

Thanks Fernanda for the corrections

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Mulheres (Carol Rossetti)

Carol Rossetti é uma artista brasileira. És bem conhecida nas redes sociais por a sua série de ilustrações afirmativas no tema da diversidade de mulheres do mundo. Desenhou mulheres brancas e negras, velhas e jovens, heterossexuais e lésbicas, com diversos tamanhos, profissões e opiniões. Cada mulher tem a sua própria página com ilustração bem colorida e uma legenda que explica a sua vida. De forma geral, cada uma encontra-se sob os olhos de pessoas que desaprovam o seu modo de viver, e a autora oferece uma mensagem de apoio a cada uma delas para afirmar os seus direitos e aumentar a sua auto-estima.

Confesso que as vezes eu também torci o meu nariz. Mas o propósito do livro é muito simples: quer aprove quer não, não é da conta de qualquer outra pessoa o que é que uma mulher faz na sua própria vida.

O projeto é uma boa ideia, mas funciona melhor como imagens individuais no Internet. Juntos num livro, tanta positividade pode tornar-se chata. Depois de vinte eu iria querer viver numa ilha longe de pessoas que exigem tanto respeito.

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A Vida Nas Palavras de Inês Tavares (Alice Vieira)

6585700Adoro este livro, embora seja infantil. É o segundo livro desta autora que já li, mas não acho que será o último!

A história é contada numa série de entradas num diário por uma rapariga de treze anos. A protagonista, Inês, não escreve no seu diário diariamente, portanto só há 19 capítulos que se estendem de Janeiro até ao Natal do mesmo ano. É muito engraçado, e há parágrafos que me fizeram soltar uma gargalhada. Também há parágrafos que não entendo completamente. Um deles tem a ver com castanhas assadas. Acho que é algo inapropriado, mas apesar de ter ouvido uma explicação da minha mulher ainda não tenho cem por cento de certeza. Os mistérios duma língua desconhecida!

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A Pior Banda do Mundo

22711886Demorei tanto a pensar como escrever este comentário. O livro é tão esquisito que não é fácil dar um resumo apropriado. A minha expectativa era uma narrativa simples com começo, meio e fim, e um elenco de personagens que fazem parte duma banda. E até certo ponto, isso é isso mesmo: há uma banda, um gajo que toca bateria, um outro que toca guitarra, pois claro… mas os membros vivem num mundo muito esquisito. Andam nos seus próprios percursos num cidade insólito cheia de pessoas estranhas e cenas surreais. Longe de ser uma narrativa linear, cada página tem o seu próprio retrato duma situação ou uma pessoa, muitas das quais pode dar conteúdo por um livro inteiro. Às vezes é mesmo engraçada, às vezes filosófico, mas nunca torna-se previsível.

Para resumir, amei, mas posso imaginar que não é do gosto de toda a gente!

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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) #4

No quarto capítulo do seu livro “Doze Segredos Da Língua Portuguesa”, Marco Neves lista as dez línguas de Portugal (Dez? Sim. dez, embora algumas sejam faladas só..hum… em Espanha) e faz uma tentativa de responder à pergunta “há línguas piores do que outras?” Aprendi muito com esta primeira secção. Como o autor diz, as dez “nem sequer inclu[em] o inglês algarvio”, e não fazia ideia que havia tantos idiomas no país. Quanto à segunda parte… hum… considero que a sua explicação do mecanismo que torna as línguas mais ou menos complicadas não seja completamente convincente. Pois, claro, como estrangeiro, estou a tornar a língua mais simples pelo método de fazer tantos erros (querido leitor, imploro-te não impeça este processo por corrigindo-os!) mas quando tento imaginar um processo que possa tornar o inglês mais complicado, não consigo. Será que alguém introduziria uma sistema de géneros arbitrários se não invadíssemos um outro país nos próximos séculos? Acho que não.

Mas, diga-se o que se disser, devo admitir que não tenho a sua formação em línguas e é mais do que possível que esteja enganado, e como sempre, tenho muito interesse no assunto, e opiniões polémicas são sempre bem vindas, embora nem sempre concorde!

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Se, Se, Se What You Want, But Don’t Play Games With Conjugation

I’ve been reading “Doze Segredos Da Língua Portuguesa” with a particular eye to reflexive verbs and verbs with impersonal pronouns, following on from discussions I’ve been having with a portuguese teacher resident in britain, about some of the more complicated aspects of the language that I’m not able adequately to describe to my usual portuguese teacher owing to my inability to express the question in portuguese! The specific point of grammar is the one described in a blog post a few months back.

Anyway, here are some examples that jumped out at me during chapter:

Diga-se o que se disser, a verdade é que os portugueses desprezam activamente tal parente, que, coitado, não merece tal sorte. [2x subjunctive tenses in the passove voices – bringing the grammaticla thunder: means something like “whatever might be said, it’s true that the portuguese don’t really care about such a parent that hasn’t deserved such a fate”]

Ora a identidade vai alimentar-se daquilo que distingue os vários povos uns dos outros [True reflexive verb ir+inf: means something like “Now, identity will always feed on that which distinguishes groups of people from one another”]

Que se fale galego na Galiza e espanhol no mundo que isso do português não pode interessar a espanhol que se preze. [2x passive voice present subjunctive: means something like “because galician is spoken in galicia and spanish in the world, the question of portuguese isn’t interesting to a spanard who knows his own worth” but I’m not sure – in fact I’m not even sure I didn’t make a transcription error when I wrote it down!]

…o facto de o Brasil se ter mantido como território unido… [manter used reflexively: means something like “…the fact of brazil having stayed as a united territory…”]

Muitas pessoas que se divertem a apontar os erros dos outros estão a proteger uma ideia de pureza associada a ideia de língua nacional, que deve ser protegida como se dum cristal se tratasse. [two reflexive verbs – one presente indicative, the other imperfect subjunctive: Means something like “many people who amuse themselves pointing out other people’s errors are protecting a notion of purity linked to the idea of a national language which must be protected as if it were a crystal”]

Os exemplos acumulam-se [reflexive: means “the examples accumulate”]

Se olharmos para a lista das dez línguas de Portugal que acabámos de ver, apercebemo-nos de uma grande diferença entre as primeiras e as últimas. [aperceber-se is a reflexive verb that means “notice”so…: Means something like  “If we look at the list of the ten languages of Portugal, we notice a big difference between the first and last”]