Posted in English, Portuguese

Comentário: Europe in Autumn

I finally got around to the actual review of this book instead of just waving it around while talking about other books. I think I made fewer mistakes this time, and fewer pauses too. I’m not quite ready to participate in the Portuguese version of “Just a Minute”, but I think the process is helping my speaking ability somewhat at least… Although, an hour after I made it I had a lesson and was an incoherent mess, so on the other hand, maybe not…

I’ve put a written version (not a transcript but it hits the same points in the same order so it’s pretty close) down below, which has been scrubbed clean of errors (thanks Rubens and Sophia for the help) and there’s a fuller, english version on Goodreads.

Este livro foi escrito por um homem que já conheci através do Twitter. Por isso, fiquei preocupado, caso descobrisse que era um LRTT*. Mas, por acaso não era nada disso: felizmente, o senhor Hutchinson escreve muito bem. Que alívio! Não precisei de me preocupar: os comentários nos jornais são maioritariamente positivos. Foi escrito uns anos, atrás antes do brexit. Este facto será importante como vamos ver daqui a pouco. É um thriller com elementos fortes de ficção especulativa ou seja ficção científica, e de espionagem e com muito humor – algo incomum no género de thrillers. Para resumir: há algo coisa para todos!

O enredo do romance passa-se na Europa do futuro próximo. A União Europeia tem-se desmoronado, com poucos países restantes. Ironicamente, a Inglaterra (mas não a Escócia) é um deles. É quase o oposto da verdade.Isso significa que, nesta realidade alternativa, Nigel Farage, Michael Gove e Boris Johnson seriam muito tristes, ou melhor, seriam prisioneiros na Torre de Londres que é nada mais do que eles merecem.
notebook_image_836312Os restantes da união têm-se desenvolvido a um caos. Regiões, cidades ou até parques nacionais, tornaram-se pequenos estados, que se chamam “polities”, com os seus próprios governos, leis, passaportes e exércitos. O continente é entrelaçado por redes de espiões e criminosos implacáveis. O herói é um daqueles espiões, membro duma empresa privada que faz varias espécies de coisas sombreadas. Não vou dar spoilers mas é muito entusiasmante e perto do fim, durante as últimas quarenta ou cinquenta páginas, ele e os seus companheiros descobrem uma nova conspiração mais profunda, que prepara o resto da trilogia. Mas tive sentimentos mistos sobre isto, porque mudou a atmosfera do livro. A torção do enredo tem a ver com algo quase sobrenatural, que se encaixa melhor no género de fantasia fiquei ligeiramente chateado mas é provável que faça mais sentido no contexto da trilogia. Vou ver porque vou encomendar os outros livros.

*=Livro Realmente Terrível do Twitter.

Advertisements
Posted in English, Portuguese

Tag | Divertida – Brace For More Videos!

Well, my campaign to be a famous youtuber with the multi-million euro sponsorship deal with Bertrand Livros is going pretty well. I had a go at a tag questionnaire the other day, and it was really good fun, and passed a boring afternoon in the hotel. Since I didn’t have any of the books I was slagging off in the room with me, I held up the one book I did have: “Europe in Autumn” by Dave Hutchinson and just acted as if it was a different book each time.

The thing I like about it is that it makes me prepare. In a normal conversation, I can speak with varying degrees of fluency, depending on how warmed-up I am, but I only say each thing once, and any mistakes I make hang there in the air like helium-filled turds. But in this setting, I prepare in advance, jot down some useful phrases and can take a couple of practice runs; I don’t read the notes out to camera, but I do have a rough roadmap in my head of where I’m going and what backalleys I’ll need to take to get there, so it’s a different kind of speaking, if you see what I mean. The fact that I seem now to have a small cluster of friends who are all very nice and share my interests in books is a huge bonus too, of course!

Observations:

As usual, it takes me a while to get warmed up. The first couple of minutes are pretty painful but it gets better.

At one point I use the english word “Now” instead of “Agora”, which is unfortunate because it sounds like “não” and it completely reverses the meaning of the sentence.

Posted in English, Portuguese

Jonas O Copramanta #SeptemberThrills

Here’s the first book review. It’s not as bad as I remember it being while I was recording it. There are some real howlers though: “He didn’t die anyone” is a particular cringemaker for me but there are others just as bad. I’ll put a tidied version of the text (of the review only, not that intro) below.

Esta semana, li “Jonas o Copromanta”, um romance Brasileiro de Patrícia Melo. Quando comecei acreditava – ou seja esperava – que fosse um policial mas enganei-me, porque não é nada disso, sim uma espécie de romance literário, bem diferente de algo que já li anteriormente.

O enredo descreve a vida dum funcionário da biblioteca nacional do Rio de Janeiro. Tem uma obsessão incomum. Crê que pode adivinhar o futuro, e receber mensagens do Deus por “ler” (entre aspas) as suas fezes, que ele pensa têm forma de algum alfabeto antigo. No início do livro, acabou de ler um livro escrito por um autor bem conhecido, que se chama Rubem Fonseca. O livro é sobre o assunto da “copromancia”, e ele fiquei convencido que o escritor plagiou-o por método de espiando nele e roubando as suas ideias. Conforme o enredo desenvolve, a monomania dele aumenta, e começa a perseguir o escritor. Como disse, este livro não é semelhante aos outros livros que já li. Tentei pensar num outro romance que tenha um estilo, ou um ambiente semelhante. Um livro americano de John Kennedy Toole, chamado “A Confederacy of Dunces” tem tanto loucura quanto este, e “American Psycho” compartilha com ele um sentido duma protagonista que parece normal às suas colegas mas tem um mundo inteiramente diferente dentro da sua mente. Claro que não é um semelhança forte. O Jonas não assassinou ninguém é não tinha uma cabeça no frigorífico. Mesmo assim, acho que podemos traçar certos paralelos entre os dois. Mais uma coisa que me interessa foi o nome da protagonista: Jonas é um nome dum profeta do testamento antigo que foi engolido por uma baleia. Foi mencionado em “Moby Dick”, um dos meus 3 ou 4 livros preferidos de sempre.

Confesso que não entendo cada detalhe mas gostei da história em geral. Achei-a imprevisível, esquisita e bem engraçada. Vou dá-lo quatro estrelas no Goodreads. Até agora, a média das notas* é duas e meia, e o único comentário simplesmente diz “Um monte de estrume com o perdão do chiste”. É claro que pessoas que falam português melhor de eu têm uma opinião mais baixo. Vocês têm sido avisados**!

 

*=According to Ruben, who kindly corrected this for me, “The average mark” isn’t a thing (at least in Brazil), but “The average of the marks” is OK.

**=”You have been warned”. It’s a literal transation and I don’t think it’s really an expression used in PT, so probably not something I’ll repeat.

Posted in English

Thinking in Portuguese

I’ve been interacting with Portuguese so much that I’m finding myself thinking in Portuguese at odd moments. The other day at work, while writing a SQL query I even typed “ONDE” in place of “WHERE”. This seems like a positive development, even if it does mean more debugging.

Posted in Portuguese

Livros Contra Cigarros (ou qualquer coisa)

Tive uma conversa com uma boa amiga ontem. Ela disse que os portugueses, apesar de serem leitores ávidos, lêem poucos livros. Preferem revistas e jornais. Fiquei surpreendido porque quando visitámos Portugal, sempre apercebemos livrarias em toda a parte. Há ainda mais do que aqui em Londres. Ora bem, é verdade dizer uma grande parte da diferença é por causa da influência do Amazon (o site, não o rio, amigos brasileiros) aqui em Inglaterra, mais mesmo assim, tinha a impressão que os portugueses são um povo bem literato que amam livros e têm poesia nas suas almas.

Books Vs Cigarettes by George Orwell Isso lembrou-me de uma dissertação pelo autor inglês George Orwell, nomeada “Books vs Cigarettes” (Livros Contra Cigarros). Escreveu-o nos anos quarenta, logo depois a segunda guerra mundial, e dois anos antes de publicar a sua obra mais conhecida, “1984”.

Nesta dissertação, o Orwell fez conta de todos os seus livros e os preços de cada um (incluindo livros emprestados e livros oferecidos) e ao outro lado, fez conta de quanto dinheiro gastou para cigarros e para cerveja. Não queria persuadir alguém não fumar (teria sido loucura naquela altura!) mas sim provar aos seus leitores que livros não são para os ricos somente. Nesta altura, toda a gente fumava. Idosos fumavam, adolescentes, homens, mulheres, até mulheres grávidas, bebés neonatos, padres na igreja, médicos na sala de operações… Tooooodaaaa a gente. Portanto, um bom método de provar a sua tese foi comparar os preços relativos de livros e cigarros durante um ano. Podes adivinhar o resultado: concluiu que os livros foram menos caros, e deram melhor valor do que os cigarros ou até uma bilhete de cinema!

É claro que hoje em dia menos pessoas fumam. Apenas os mais idosos (que não podem deixar) ou os mais novos (que não podem imaginar as suas mortes) permanecem com o hábito. Pessoas da minha geração deixamos de fumar há anos! Mas para fumadores, o argumento é ainda mais forte no século XXI. Os livros são mais caros do que antigamente, é verdade, mas cada vez mais, os impostos que são acrescentados ao preço do álcool é do tabaco deixam ambos muito, muito mais caro. Aqui na Inglaterra, um livro tem a preço de dois pacotes de cigarros. Acho que em Portugal é diferente. Mas mesmo assim, não há dúvida que são relativamente mais caros do que na época de Orwell.

E para não fumadores? Revistas são mais baratas, claro, mas demoram menos tempo para ler. Podem ser lidas grátis no café, sim, mas livros pode ser lidos grátis também, graças às bibliotecas.

Posted in English

Transatlantic Reading

As you’ll know if you were crazy enough to watch the video I posted the other day, I am currently reading a Portuguese book called ‘Jonas o Copromanta’ (Jonas the Copromancer) about a bloke who reckons he can read the future in his toilet bowl. I’m not following the grammar or vocabulary as closely as I normally would, because I don’t want to com fuse myself – I’m mainly just trying to practise pronouncing the words and following the gist of the story.

I’ve become obsessed with one line though:

O que achava da afirmação “Deus dá crases a quem não tem frases” de Ferreira Gullar’

I wondered what “crases” meant só I plugged it into gtranslate and the first thing it came up with was “quotations”. God gives quotations to people who don’t have sentences. Considering he’s actually quoting someone at the time, that’s a funny line! But then it changed to ‘sentences’. Well, God gives sentences to people who don’t have sentences is just rubbish, so I looked on the online dictionary, Priberam. Priberam gives four other meanings, none of which make any sense (to me, anyway) when I drop them into the wider sentence.

So now I don’t know what the sentence means and feel vaguely like I’m missing out on something important. If anyone reading this knows, I’d love to hear about it.

Posted in English, Portuguese

Vamos Ler Thrillers #SeptemberThrills

I’ve really on a reading kick at the moment. My poor smartphone has been gathering dust for hours at a time 🎻. More worryingly, I can’t stop buying them, no matter how the TBR shelves groan under the weight, suspended above my head while I sleep, threatening to kill me with a nocturnal literature-avalanche.

Some of my favourite Portuguese Booktubers are doing themed challenges and I thought I’d tag along and carry on the momentum from finishing the chunky-ass thriller I’ve just put back on the shelf. I’m going to read some books in both languages and try and write/say something about them in Portuguese just because it’s more fun than doing exercises.

I haven’t done many videos and don’t intend to make it a regular thing (I know, I know, the Lord is merciful) but it’s fun to do, and I learn how to use the video editing software as well as stretching my Portuguese speaking skills a bit. I’m quite happy to see how much better this is than the last one, but there is still a lot of umming and ahhing, and a lot of really horrible errors that even I can see, so god knows how it comes across to others! In other words, there’s a long way to go… Useful trends to pick up are that I use “por isso” more than I think is really natural, seem to be using “no” instead of any other em-related word, and “isso” for all my demonstrative pronouns for some reason, even when I know the thing is masculine and I’m actually holding it in my hand. The other thing that’s starting to bother me is how lazy my accent is. I never used to worry about it before because I was more concerned about understanding the mechanics of the language but I’m at a stage now where I ought to be able to roll my Rs properly and make a proper -ão sound that isn’t a disgrace to humanity. I think I might go back to the Portuguese With Carla blog and really do it properly, making an effort to say everything out loud and teach my mouth to be less flat and british.

No, I’ve no idea what that first few seconds is about, but it took me about two hours to make, so I hope you enjoy it!


Update:

While writing this, five people (five!) have commented on the video. I don’t know why this should surprise me since I posted it in public on a social network using a hashtag, but I suppose I thought it’d be like the last one and get seen by three people over a period of about six months. I’m simultaneously happy to be so warmly received and blushing slightly at the attention.

Posted in Portuguese

Comentário sobre “A Célula Adormecida” de Nuno Nepomuceno

Finalmente terminei de ler este livro gigantesco. Tem 577 páginas e prometi-me* que leria 20 páginas por dia para ler o livro inteiro dentro duma mês. Falhei. Fiz uma pausa no meio e não recomecei a sério até à semana passada.

O livro é um romance, tipo “Thriller”, mas é diferente duma típica história deste género. Os eventos desenrolam em Lisboa, excepto alguns capítulos que acontecem na Turquia. O enredo tem a ver com um grupo de terroristas do autoproclamado Estado Islâmico. No início do livro, no dia da eleição legislativa, fazem um atentado no centro de Lisboa, detonando uma bomba num autocarro. Depois, levantam a bandeira do Daesh no monumento da revolução de 25 de Abril. No mesmo dia, o vencedor das eleições, o novo primeiro-ministro, suicida-se. Um professor, que conhecia um dos terroristas mortos durante o ataque foi recrutado pelo SIS, para ajudar na caça dos outros antes da cimeira da NATO em Lisboa daí a um mês. Entretanto, uma jornalista começa a investigar o mistério do aparente suicídio, seguindo o pedido da viúva do político que fica convencida que ele fora assassinado.

Ambos têm problemas: o professor é assombrado por um passado escuro e a jornalista tem cancro. Os dois encontram-nos na Turquia e juntam-se para descobrirem a verdade.

O que é impressionante é que durante esta história de atrocidades terroristas, o escritor tentou com muito esforço evitar tratar todos os muçulmanos como terroristas (um problema comum em muitos thrillers). Explicou vários aspectos da sua fé, a cultura e a história do Islão, e a história recente da Síria e do Médio Oriente. Isto parece uma fraqueza no romance porque reduziu o suspense do enredo, mas acho que foi uma decisão do escritor. Hoje em dia há tantos mal-entendidos no mundo, e tanto ódio pela religião que nos forneceu com tantos grupos armados, que penso que é bom lembrar que a maioria das vítimas do terrorismo são muçulmanos, e aqueles muçulmanos de vários países receiam os efeitos da guerra nos seus próprios países ainda mais do que nós temos medo do terrorismo nos nossos países.

A Célula Adormecida: AmazonOfficial SiteBertrand

Thanks Raphael, Hugo, Sofia for the corrections

*=This means “I promised myself”. Someone suggested “Comprometi-me” (“I made a commitment”) which is a good option too. It wasn’t what I was trying to say but maybe “I promised myself” isn’t a phrase that’s used often in Portugal…?

17076540_1785622641765326_3850175912981037056_n
Instagram picture from some time ago when I was still just 90 pages in