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Pontas Soltas – Lisboa (Ricardo Cabral)

Gostei mesmo da capa desta banda desenhada mas como toda a gente diz, nunca se deve julgar um livro pela capa! As três histórias são todas lindas, com grandes panoramas de Lisboa, e personagens muito bem construídas, mas não fazem sentido nenhum, e no fim, deixaram-me insatisfeito!

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A Contradição Humana – Afonso Cruz

12422137Este livro é o terceiro que já li do mesmo autor. Adorei os dois primeiros mas este é um livro infantil e um livro infantil é uma cena completamente diferente do que um livro para adultos. Confesso que o livro não funciona para mim. Faz-me lembrar um comediante inglês chato .
“Senhores e senhoras”, diz a estrela do espectáculo de comédia, “Já perceberam que as pessoas que gostam de pássaros os prendem em gaiolas? Porque é que fazem isso?”
[pausa. silêncio]
“…Olá… Olá…”
[ele bate o microfone]
“Esta coisa está ligada?”

Mas talvez eu esteja demasiado crescido. Vejo desenhos de jiboias a comer elefantes e penso “que lindo! Um chapéu”. Já que penso nisso, é verdade: há muita “comida para alimentar o pensamento” cá nas páginas deste livrinho que pode estimular as mentes de crianças através uma série de cenas divertidas… E, sem dúvida, os desenhos (que não incluem uma jiboia a comer um elefante nem um chapéu) são muito fixes.
Sim, ignorem-me. Cento e trinta e dois portugueses deixaram comentários no Goodreads, e a média da nota é 4.48/5, igual ao “Senhor dos Anéis” e ao “Moby Dick”, melhor do que “Anna Karenina”, “1984” ou a peça mais famosa de Shakespeare – “Hamlet”. Sim, é provável que o seu filho vá gostar deste livro.

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Não Estou A Deitar Fora O Meu Tiro

Ontem à noite, eu a família fomos ao teatro Victoria Palace para vermos uma apresentação duma peça de teatro chamada “Hamilton”. Para quem não sabe, trata-se de um musical americano que conta a história de Alexander Hamilton, um dos participantes na revolução contra os ingleses*, que passou a primeiro Ministro das Finanças daquele país depois da guerra. Foi escrito por Lin-Manuel Miranda, que também escreveu a música de várias outras obras, incluindo o Moana da Disney. Já conhecíamos todas as músicas da banda sonora e já adorávamos todas mas não estávamos preparados para a maravilha de ver o espectáculo inteiro no palco.

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Como devem saber, no elenco da peça, há um único actor branco – o Rei Jorge Terceiro. Todos os outros são negros, hispânicos ou de raça mista. Isto deixa a história tornar-se um veículo para vários pontos políticos sobre a história do país e o seu povo, de imigração e liberdade. É simultaneamente uma crítica ao país, um grande elogio a ele, uma lição de cidadania e muito mais! Aqui em Londres, donde vinham os “vilões” da peça, Hamilton, o herói foi protagonizado por Jamael Westman, um actor bastante novo. Na produção original em Nova Iorque, toda a gente era americana, e o único inglês – o rei – precisou de falar com um sotaque diferente, mas neste caso, Hamilton, Burr e o resto da companhia teve que falar com sotaques estrangeiros, e apenas o Rei pôde utilizar a sua própria voz. Gostei sobretudo do Burr (um dos maiores antagonistas, e também o narrador) e a Eliza, mulher de Hamilton, mas todos representaram muito bem: dançaram, cantaram e fizeram tudo com uma precisão perfeita. Foi tão dinâmico, tão bem feito, que embora conhecêssemos a história e as canções, ficámos boquiabertos. Chorámos, rimos, batemos palmas sem fim. A minha filha apaixonou-se pelo Philip (o filho) e 3481 lençóis de papel ficaram molhados de lágrimas.

Enfim, gostámos do espectáculo.

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*=Quando fizeram o terrível erro de sair do nosso império pacífico e benevolente. Não faço ideia porquê. Já que elegeram o Trump, talvez sintam arrependimento. Se pedirem, ainda consideraremos deixá-los entrar novamente. Não é tarde demais para mudarem de opinião.


Muito obrigado pela ajuda Fernanda

In case anyone’s wondering about the title, it’s a pointlessly literal translation of the phrase “I’m not throwing away my shot”, but it’s more like “I’m not throwing my gunshot in the bin” rather than “I’m not wasting my chance”, which would be more like “Não vou desperdiçar a minha oportunidade”

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Dois Falsos Amigos

m000093415It’s been a while since I posted any of those “Key Learnings” from lessons and I should probably do it more to give my crap memory a bit of a nudge to do its job. So here are couple of things I picked up from today’s Aula. They’re both really close near-cognates with subtly different meanings:

Consensual

This word looks like a straight-up cognate but it’s diverged slightly from the english meaning and stayed closer to “consensus” than “consent”.

É consensual no meio cientifica nao haver o direito de modificar o patrimonio hereditário da espécie humana.

…means something like “It’s agreed by everyone in the field of science that we don’t have the right to modify the human genetic heritage”

Presentear

This word obviously comes from the same root as the verb “to present” but it isn’t used in the positive sense – presenting people with gifts or medals, for example, only ironically in negative situations.

O objectivo é conseguir substâncias capazes de corrigir os efeitos com que a natureza vai presenteado os homens

…means something like “The objective is to find substances that can correct the symptoms with which nature has presented people”

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Mais Pensamentos Sobre o “Ruínas” de Hugo Lourenço

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Vamos fazer uma pausa para apreciar o nome da editora – Esfera do Caos (que não deve ser confundido com “Esfera dos Cãos*” que publica apenas romances sobre futebolistas caninas)
*=eu sei, eu sei…

[contém spoilers]

Desde que escrevi o meu comentário sobre este livro, tive umas conversas com outros leitores e até com o autor, através do Goodreads, e nos comentários do Youtube, e aprendi mais coisas que queria partilhar convosco:

Embora já tenha mencionado o clima económico, não percebi que o livro tenha a ver com jovens de uma idade especifica, que chegou à maturidade na época de austeridade – conhecidos como a “geração a rasca“.

Assim como vários outros livros (o “Ulysses” de James Joyce é o mais óbvio), o romance tem um modelo, ou um padrão na mitologia grega, especificamente os deuses Apolo e Dioniso. Confesso que mal conheço a história deles, e é por isso que não percebi a ligação, apesar da nota de rodapé ao fundo da página 113.

O video no canal “Aprendiz de Leitor” lembrou-me que o nome do livro – Ruínas – refere-se à memoria – “As memórias são como ruínas, sim”.  No desenlace, o autor remete para o primeiro capítulo, e a ligação entre a memória e os sentidos (o cheiro a gasolina, que, neste livro, funciona como o sabor das madeleines de Proust*). Ainda por cima (na minha opinião), pode ser igualmente uma metáfora das vidas das personagens: Um é morto, um desapareceu, e o narrador sente a falta deles. As vidas deles e os sonhos para o futuro, e o potencial que cada um possuiu – todos ficaram em ruínas. Mas o livro não é pessimista, e deixa o leitor com esperança de algo a surgir das ruínas.

*=Like most people, this is literally the only thing I know about Proust: he ate some little cakes and wrote a really long book about it.

This post and the previous one, with a couple of footnotes are now on Goodreads.


Thanks again to Fernanda for the patient help with corrections for this text

 

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Opinião – Ruínas (Hugo Lourenço)

30086640_1629230217173729_341835609570017280_n(1)Ouvi falar deste livro através dum canal de Booktube. Conta a história de dois homens – o Daniel e o Ricardo e um terceiro, o narrador. Ou seja, trata-se da vida do narrador e a sua relação com estes dois indivíduos. Os dois têm fundos e vidas muito diferentes, e acho que o narrador está à procura das causas da diferença. Pergunta-se, se fizesse algumas coisas diferentes, se as vidas dos amigos teriam sido melhores. A acção desenrola-se no Portugal de hoje, e os três sentem os efeitos do clima económica e social.

Percorrendo a história há uma série de conversas entre as personagens nas quais, falam de diversos assuntos – suicídio, o mercado editorial, Marilyn Monroe. Achei-os fascinantes, como se Haruki Murakami decidisse escrever um diálogo socrático. (Não me peçam para justificar a comparação com Murakami porque não sou capaz). Às vezes, além de ser o meu preferido parte do livro tornou-se uma fraqueza também porque durante os últimos capítulos o narrador imaginou uma conversa com um amigo desaparecido, e explicou os seus sentimentos e arrependimentos sobre a situação. Depois, proferiu um discurso que descreve várias cenas de literatura e cinema e utilizou-as para acrescentar mais pormenores.

Sinto que recebi demasiada informação: explicou demais e não mostrou o suficiente. Cá para mim, como leitor, prefiro tirar uma mensagem ou um significado do enredo, mas fiquei com a impressão que as ideias cresceram até ao ponto em que se tornaram mais importantes do que a história.

Mas sobretudo, aproveitei o tempo na companhia destes personagens e das suas conversas, e estou contente por ter lido um livro que não é aborrecido e não é difícil demais para um estrangeiro!

 


Thanks Fernanda for corrections in the main body of the review

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A Vida É Estranha, E Os Jogos São Ainda Mais Estranhos

notebook_image_890090A minha filha tem 12 anos e está a estudar informática na escola. Quero ajudá-la mas é um daqueles assuntos que é ligeiramente difícil integrar na vida. Não a quero sentar numa cadeira e dizer-lhe “vamos filha! Vamos programar em Java!” porque não sou um psicopata.

Em vez disso, sugeri que investigássemos os vários jogos que temos em casa. Um exercício comum no mundo de ensino é escrever código para alterar as terras artificiais do Minecraft, com uma linguagem de programação chamada “python”. Experimentámos aquilo. Também temos uma versão do jogo clássico “tetris” escrito num código que se chama “small basic”, que mudámos: tornámo-lo mais rápido, aumentámos o tamanho do quadro e demos à borda uma cor mais bonita.

jeffersonMas a nossa actividade preferida foi uma alteração que fizemos com o jogo “Life is Strange” (A Vida é Estranha). Descobrimos que era possível trocar os corpos das personagens mexendo em algumas coisas e alterando as opções na pasta onde ficam os ficheiros do jogo. Depois de algum tempo, o jogo estava pronto. As protagonistas – duas raparigas adolescentes – percorrem uma floresta. De repente, um homem com barba voa de uma árvore para outra. As raparigas não prestam a mínima atenção. Continuam. Então ouve-se uma explosão. Uma das raparigas leva um tiro. A outra vira-se e vê, na escuridão, o rosto do assassino: uma coruja com uma arma.

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Como Fazer Amigos e Influenciar Bebés

Estou num comboio. Há uma mulher sentado na minha frente, no outro lado duma mesa. Está a fitar fixamente o seu telemóvel e a ignorar-me, porque ando a acenar na sua direção de vez em quando. O que ela não apercebe é que há um menino de dois anos no pé no banco detrás dela, dando uma espreitadela a volta da carruagem, a procura de novos companheiros e agora nós dois somos grandes amigos.

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As Redes Sociais e a Democracia

As notícias da semana passada demonstraram, para quem ainda não soubesse, que há um problema muito grave que está a afligir os nossos sistemas democráticos. É um problema unicamente moderno, que surgiu nos primórdios da época das redes sociais e estava a crescer, ano após ano, enquanto todo a gente se tornava todos os anos viciado nestes sites.

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O modelo negocial duma rede social consiste em vender os dados pessoais dos utilizadores. De forma geral, assumimos que os clientes são agências publicitárias, e aceitamos que vermos anúncios em cada página é justo em troca de um serviço útil e gratuito. Mas agora fica claro que existem empresas que aproveitam este oceano de dados para influenciar a sociedade através do método de mostrar anúncios e notícias falsas, direccionadas a cada um dos eleitores. Isso ultrapassa o efeito das publicidades tradicionais porque pode manipular não só os medos e as esperanças específicas das pessoas mas também a percepção da realidade. O resultado: ainda menos diálogo, ainda mais polarização entre a direita e a esquerda, e uma diminuição da confiança na democracia. É muito, mas mesmo muito importante restabelecermos um diálogo entre iguais, sem influência das empresas, ou das forças desconhecidas que os usam.